Publicado nos proceedings do 26º Congresso Internacional de Pesquisa em Governo Digital (DGO 2025), este artigo investiga os fatores que permitem a disseminação da desinformação antivacina no Brasil, a partir de uma combinação de revisão da literatura e análise empírica de comunidades no Telegram.
Autores
- Julie Ricard — Centro de Estudos em Administração Pública e Governo, Escola de Administração Pública e Governo, Fundação Getulio Vargas, Brasil. ORCID
- Ergon Cugler de Moraes Silva — Centro de Estudos em Administração Pública e Governo, Escola de Administração Pública e Governo, Fundação Getulio Vargas, Brasil. ORCID
- Ivette Yañez — Data-Pop Alliance, México. ORCID
- Leticia Hora — Universidade de São Paulo, Brasil. ORCID
DOI: https://doi.org/10.59490/dgo.2025.1064
Palavras-chave: Desinformação, Desordem Informacional, Antivacina, Telegram
Resumo
Este estudo aborda duas questões centrais: (1) Quais fatores facilitadores associados à desordem informacional são identificados na literatura? e (2) Quais desses fatores se manifestam em comunidades antivacina no Telegram no Brasil, favorecendo a disseminação e a normalização da desinformação? Combinando uma revisão sistemática da literatura com análise empírica de quase 10 milhões de postagens em grupos brasileiros de teorias da conspiração no Telegram (2016–2024), a pesquisa identifica 18 fatores facilitadores — classificados em dimensões sociopolíticas e do ecossistema informacional — que contribuem para a desordem informacional. Desses, 11 foram observados empiricamente nas comunidades analisadas. A partir de métodos qualitativos e computacionais — incluindo séries temporais, análise de conteúdo e análise de links —, o estudo propõe um modelo conceitual que ilustra como essas condições interagem e se reforçam, criando um ambiente no qual a desinformação pode florescer. Os achados contribuem para análises teóricas em curso sobre as dinâmicas sociotécnicas da desinformação.
