O dossiê "Desinformação sobre Autismo na América Latina e no Caribe" apresenta um mapeamento inédito de 150 falsas causas e 150 falsas curas atribuídas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), identificadas em 1.659 comunidades conspiratórias no Telegram, ativas entre 2015 e 2025 em 17 países. Com base na análise de mais de 58 milhões de conteúdos e 5,3 milhões de usuários, o estudo revela que o Brasil lidera em volume de desinformação sobre autismo, responsável por quase metade (48%) das publicações do continente. A pesquisa mostra como narrativas falsas, como a associação do TEA a vacinas, Wi-Fi, 5G ou consumo de alimentos industrializados, se interconectam a outras temáticas conspiratórias, como QAnon, globalismo, esoterismo e terraplanismo. Além disso, o estudo denuncia a monetização da mentira, com a venda de falsas curas como dióxido de cloro, prata coloidal, terapias de ozônio e "frequência Tesla", que colocam vidas em risco e exploram emocional e financeiramente famílias. A pandemia da COVID-19 atuou como catalisadora, com aumento de 15.000% no volume de conteúdos desinformativos sobre o tema. A nota propõe respostas integradas, combinando monitoramento de redes, regulação de plataformas, alfabetização midiática crítica e políticas públicas comprometidas com os direitos das pessoas autistas e a inclusão social.
Disponível na íntegra em: https://arxiv.org/abs/2504.01991
Versão diagramada: https://zenodo.org/records/15896164
