As investigações revelam que houve um aumento dramático de comunidades misóginas no Brasil no aplicativo Telegram. Segundo o levantamento do DESINFO.POP/FGV, cerca de 225 mil pessoas participam de 85 comunidades misóginas, e o volume de conteúdos com discurso de ódio contra mulheres cresceu cerca de 600 vezes entre 2019 e 2025.
O estudo mapeou cerca de sete milhões de mensagens publicadas nesses grupos ao longo da última década, e identificou que esses espaços online não apenas disseminam misoginia, mas também combinam discursos de ódio de gênero com racismo e ressentimento de classe — configurando um padrão de ódio interseccional. Além disso, os pesquisadores apontam que essas comunidades funcionam como uma via de entrada para teorias conspiratórias e grupos extremistas, ampliando o impacto social da desinformação de gênero.
Os pesquisadores destacam ainda que esse tipo de conteúdo não é apenas uma expressão de misoginia, mas se transformou num “modelo de negócio”: com infoprodutos, mentoria, livros e monetização, essas comunidades lucram com a promoção do ódio, ampliando seu alcance e capacidade de atrair novos adeptos. Nesse contexto, a contribuição do Laboratório de Estudos em Desordem Informacional e Políticas Públicas (Desinfo.Pop/FGV) é essencial para evidenciar o tamanho e a estrutura desse fenômeno — fornecendo dados concretos e rigorosos que ajudam a entender como discursos misóginos se institucionalizam nas plataformas digitais e quais são as implicações para a violência de gênero e para a democracia no Brasil.
Nota técnica disponível em: https://zenodo.org/records/17706952
Versão diagramada: https://zenodo.org/records/17706958
Menções na mídia:
Carta Capital: https://www.cartacapital.com.br/politica/cifras-do-odio/
Portal Desacato: https://www.youtube.com/watch?v=agb2btScvuA
Portal Vermelho: https://vermelho.org.br/2025/11/25/estudo-revela-explosao-de-conteudos-de-odio-contra-mulheres-em-rede-social/
Correio do Brasil: https://correiodobrasil.com.br/a/estudo-aponta-salto-conteudo-misogino-rede-social
