A reportagem expõe uma rede de 69 perfis anônimos de “saúde” no Instagram, apelidados de “contas dark”, que acumulam 42 milhões de seguidores e monetizam difundindo desinformação saudável com promessas milagrosas. Segundo levantamento, Verifica, esses perfis publicam vídeos curtos com dicas sensacionalistas de emagrecimento, curas naturais e tratamentos duvidosos — muitos usando rostos gerados por inteligência artificial e roteiros coordenados entre si.
O esquema é cuidadosamente estruturado para atrair o engajamento: os perfis repetem os mesmos conteúdos, compartilham links para WhatsApp comum e direcionam os usuários para sites externos, onde vendem produtos ou fraudam dados pessoais. Segundo o pesquisador Ergon Cugler, do Laboratório de Estudos em Desordem Informacional e Políticas Públicas (DESINFO.POP/FGV), esse comportamento indica uma ação altamente coordenada, cujo objetivo principal é converter visualização em lucro, por meio de golpes mais sofisticados do que simples anúncios comuns.
Além disso, Cugler destaca que o uso de inteligência artificial acelera a produção desses conteúdos e facilita a adaptação das mensagens para diferentes públicos, ampliando o alcance e a eficácia dos golpes. A desinformação de saúde, segundo ele, não é apenas uma tática de monetização, mas explora vulnerabilidades emocionais das pessoas, oferecendo fórmulas “fáceis” como se viessem de uma autoridade legítima — com efeitos potencialmente graves para a confiança na ciência e na medicina tradicional.
