A matéria, originalmente publicada na The Conversation por Arthur Ataide Ferreira Garcia e Ergon Cugler, critica a narrativa propagada por Donald Trump e Robert F. Kennedy Jr. segundo a qual o uso de Tylenol (paracetamol) durante a gravidez causaria autismo. Segundo os autores, a alegação carece de respaldo científico sólido: os estudos citados mostram apenas associação, não causalidade, e os efeitos observados são muito pequenos para justificar um pânico generalizado. Os autores destacam que sociedades médicas especializadas em gestação alertam que a febre não tratada pode representar riscos reais à saúde do feto, o que torna o uso cauteloso de paracetamol uma opção importante quando clinicamente indicado. Eles argumentam que transformar uma hipótese frágil em discurso de campanha política — além de alarmista — desloca o foco das políticas realmente necessárias, como diagnóstico precoce, intervenções baseadas em evidência e apoio a famílias de pessoas autistas.
A participação de Ergon Cugler, pesquisador do DESINFO.POP/FGV, é fundamental para a análise da desinformação. Cugler reforça que a afirmação de Trump e Kennedy Jr. representa um exemplo de desordem informacional perigosa: misturar retórica política com ciência mal interpretada pode reforçar estigmas contra pessoas autistas e gerar políticas públicas baseadas em mitos, não em evidências.
Link da matéria: https://theconversation.com/afirmacao-de-trump-de-que-tylenol-causa-autismo-e-nova-mentira-estimulada-por-robert-f-kennedy-jr-265847
